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Uma fábrica de gaiteiros

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Entrevista com Luiz Carlos Borges

October 2, 2017

 

Em nossa viagem à Porto Alegre escolhemos três acordeonistas para o projeto.  Confesso que não foi uma decisão fácil essa escolha, visto que o Rio Grande do Sul é rico em gaiteiros, como são chamados os acordeonistas gaúchos. 

 

A gaita é considerada por lei, símbolo do estado desde 2010. E não poderia ser diferente, o instrumento é o mais marcante na música regional gaúcha. Música essa que tem várias vertentes, desde a chamada música de baile, alegre e dançante, com os tradicionais conjuntos como Os Serranos, Os Monarcas, Grupo Rodeio, e muitos outros. A música gaúcha nativista, oriunda dos grandes festivais que a partir da década de 1970 começaram a acontecer. Desses festivais apareceram nomes como Elton Saldanha, Leonardo, João de Almeida Neto, Luiz Marenco, entre outros. E mais recentemente nomes como Yamandú Costa, Luciano Maia, Samuca do Acordeom, Alessandro Kramer, vem mostrando uma música instrumental que traz a raiz dos ritmos gaúchos com a influência do jazz no caráter improvisativo.

 

O nosso primeiro entrevistado na capital gaúcha transita um pouco nesses três tipos de música. 

 

Luiz Carlos Borges começou sua carreira tocando em bailes junto com os irmãos. Já com 9 anos fez sua estréia com os Irmãos Borges. Durante 20 anos fez parte do grupo, a maioria do tempo como diretor artístico. Mais tarde, como compositor, participou do início dos festivais nativistas e como idealizador do Festival Musicanto, um dos mais importantes do Rio Grande. Mais recentemente produziu e participou do projeto Gaiteiros do Mundo, reunindo acordeonistas brasileiros e extrangeiros, nomes como o francês Richard Galliano, o italiano Vince Abbracciante, e os brasileiros Luciano Maia, Alessandro Kramer, Samuca do Acordeom, Renato Borghetti, entre outros.

 

Para nossa conversa em seu escritório, nos recebeu com muita simpatia e com um belo chimarrão.

Nos contou sobre seu início de carreira, os estudos na faculdade de Música, a família, os festivais, as amizades e parcerias com nossos "hermanos" e o papel do músico de hoje.

 

"Chamamecero" desde muito novo, Luiz nos contou sobre a polêmica proibição que existia, nos bailes e festivais, de se tocar o chamamé.

 

"(...) com 8, 9 quando comecei os bailes eu já estava tocando facilmente uma meia dúzia de chamamés, que era até proibido naquela época colocar no repertório do baile. Muitos patrões contratantes nos CTGs da época, ou salões de baile, tinham até uma orientação, 'não toquem chamamé, essas músicas do outro lado do rio, que vocês não vão receber o baile'. Várias vezes falaram pro meu irmão e o problema era eu, chegavam a dizer, se o gurizinho tocar a música dos castelhanos nós vamos pagar a metade do baile pra vocês. E eu mentia, eu dizia, não, é rancheira o que eu estou tocando, porque chamamé e rancheira é meio parecido (...). Então eu me valia dessa malandragem, digamos, de dar uma enganada. Às vezes chegavam vir no meio do baile e diziam, o que tu está tocando, eu dizia, rancheira. Ah, não, porque está muito parecido com um chamamé!".

 

Ele mesmo não soube nos dizer qual era o motivo exato dessa esdrúxula proibição de um ritmo que hoje é um dos mais tocados na música gaúcha.

 

Como nos explicou: "eu acho que é aquela bobeira que dá em quem acha que é muito gaúcho, que tem muita raiz, e esse radicalismo de achar que o que é meu é meu e o que vem de fora não tem valor. Acho que é meio por aí, é um raciocínio que não há nem muita resposta pra isso. Eu até hoje, as proibições dessa natureza... como chegou a acontecer isso na Califórnia da Canção Nativa, era proibido o chamamé e outros ritmos, eles chegavam a colocar ritmo alienígena! A resposta, digamos, que convença, eu não encontrei até hoje".

 

Com mais de 30 discos gravados, 50 anos de trajetória musical, Luiz se mantém em atividade musical constante. No ano passado foi lançado o songbook "A alma atada na gaita", contando sua história e com mais de 30 partituras de suas composições.  Um belo trabalho que busca, assim como esse projeto, manter viva a memória dos nossos artistas, com seus trabalhos e suas contribuições para a cultura brasileira.

 

Saímos felizes de poder conversar e ouvir tantas histórias desse grande músico brasileiro.

 

E eu feliz com meu presente!

 

 

Saiba mais sobre Luiz Carlos Borges

Site oficial

Facebook

Youtube

 

Teaser do projeto "Acordeom Brasileiro"

 

Documentário "O Milagre de Santa Luzia"

 

Leia a entrevista na íntegra no livro "Acordeom Brasileiro" com lançamento previsto para 2018. 

 

 

 

 

 

 

 

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